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Rio Maior

PARQUE NATURAL DAS SERRA DE AIRE E CANDEEIROS


Distância: 4,5 km; 
Duração: 3h;
Grau de dificuldade: Difícil.
Localização: Aldeia de Chãos
Ponto de partida: Estacionamento Cooperativa Terra Chã
Coordenadas gps-wgs84: 39.417998, -8.920365

As serras de Aire e Candeeiros são o mais importante repositório das formações calcárias existente em Portugal e esta é a razão primeira para a sua classificação como Parque Natural. Morfologia cársica, natureza do coberto vegetal, a rede de cursos de água subterrâneos, uma fauna específica, nomeadamente cavernícola, e intensa atividade no domínio da extração da pedra são outros tantos aspetos que a sua classificação tenta preservar e disciplinar. Sendo uma zona de altitude, o clima carateriza-se por uma peculiar transição entre as condições mediterrâneas e atlânticas, sendo por isso húmido, de temperaturas médias e com grande deficiência de água no verão.

Este percurso conhecido por "De Chãos à gruta das Alcobertas” decorre na envolvente da aldeia de Chãos, uma pequena povoação pertencente à freguesia de Alcobertas e situada na vertente sul da serra dos Candeeiros, num pequeno planalto a poucos metros do cimo da serra. O seu nome provém dos terrenos, bons para cultivo (terra chã). Apesar do avanço dos tempos é ainda possível ver a propriedade dividida por muros de pedra, algumas cisternas e eiras vitais para a vida destas comunidades rurais. Pela sua localização, a paisagem estende-se a perder de vista.

O percurso tem início na sede da Associação Terra Chã. Aqui tem facilidade de estacionamento e serviço de cafetaria e restauração onde a boa gastronomia regional marca presença. Saindo do ponto inicial siga para a estrada principal da aldeia por uns cem metros e no início do asfalto vire à esquerda. É um trilho pedonal que se desenvolve entre os típicos muros de pedra. Estes muros servem para demarcar as propriedades e eram feitos na maioria com as pedras retiradas dos terrenos. A chamada despedrega era necessária para limpar o terreno e facilitar as atividades agrícolas. Sendo uma zona de serra são também úteis para cortar os ventos dominantes protegendo assim as culturas. Passados uns trezentos metros estamos num dos arruamentos da aldeia. Seguir pela estrada e do lado direito surge o primeiro ponto de destaque. Um conjunto de arquitetura tradicional que nos permite observar o modo de vida desta comunidade rural.

Além da casa de habitação, seu telheiro e anexos merece destaque a cisterna para armazenar água. Sendo uma zona calcária sem águas superficiais toda a pluviosidade vinda dos beirais do telhado era canalizada por uma caleira feita com telhas invertidas que conduziam o precioso líquido até uma cisterna que abastecia a casa. Também a eira, espaço amplo utilizado para secar e debulhar os cereais servia em dias festivos para encontro das gentes, para os namoros, danças e cantares. Na entrada deste conjunto bem preservado pode também observar uma pegada de dinossauro.

Cerca de 50 metros depois deste local a estrada bifurca. Siga pela esquerda e vá com atenção pois cem metros depois do lado esquerdo está um trilho estreito numa entrada do muro de pedra. Aqui tem início a ascensão até ao alto da serra dos Candeeiros. Chamado de carreiro do Vale da Lagoa recebe este nome pois conduz a um ponto de água existente no alto da serra. É um trilho com cerca de mil metros de terreno pedregoso que exige atenção redobrada. Durante a subida aproveite para descansar e apreciar a vista para a aldeia de Chãos e envolvente. Ao chegar ao topo encontra um estradão de terra largo que permite a manutenção do parque eólico aqui instalado. Aqui vire à direita e cento e cinquenta metros à frente vai ver do seu lado esquerdo a lagoa que dá o nome ao trilho. Em dias de boa visibilidade é possível avistar o oceano Atlântico, grande parte da costa oeste e as ilhas Berlengas. Aqui pode ouvir o melódico canto da Cotovia-de-poupa (Galerida cristata) e observar os seus altos voos. Do lado contrário à lagoa tem início o trilho que conduz até à gruta das Alcobertas. Bem visível na paisagem surgem altos aglomerados de pedra. São abrigos de pastores, um espaço em que só cabe um homem sentado, com entrada virada ao lado oposto dos ventos dominantes para proteger nas horas de tempestade.

Para além da importância das plantas na alimentação dos rebanhos de cabras que aqui pastam, também apresentam valor económico e científico pois muitas plantas do Parque Natural têm qualidades medicinais ou aromáticas. Entre elas, dando cor à paisagem e despertando o olfato está o Alecrim (Rosmarinus officinalis) que cresce espontâneo por toda a serra.

Retorne ao trilho e siga por uns quinhentos metros até o mesmo terminar numa estrada de terra. Vire à direita e percorrendo mais uns quatrocentos metros chega ao local da gruta das Alcobertas. Aqui tem um miradouro que permite espraiar a vista pelos longos horizontes que se estendem até à bacia terciária do Tejo e à serra de Montejunto ou das aldeias vizinhas de Chãos, Casais Monizes e Alcobertas. O chão do miradouro é pintado de várias cores de forma dita indecifrável mas na realidade representa o percurso que se pode fazer no interior da gruta e as suas várias salas.

Desça as escadas para o piso inferior do miradouro e aqui tem início a descida por um trilho ingreme e estreito com cerca de quinhentos metros que termina numa estrada de terra que nos leva de regresso à aldeia. Passados uns quinhentos metros surge o primeiro casario e o asfalto. Agora é só seguir uns oitocentos metros sempre na estrada principal que atravessa toda a aldeia até ao ponto inicial.

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